Como devem as empresas atuar perante casos de assédio sexual no trabalho

como lidam as empresas com casos de assédio sexual

O movimento #MeToo revolucionou completamente a temática do assédio sexual. Deu voz a vítimas de abuso e assédio sexual, abrindo os canais de comunicação, para que esta temática fosse discutida de forma clara. Como lidam as empresas com esta questão?

Começou nos Estados Unidos na indústria do entretenimento, mas rapidamente ecoou em todo o mundo, e em várias áreas. Comportamentos que pareciam não ter segundas intenções são agora questionados, à medida que se conhecem casos de assédio em ambiente laboral.

A verdade é que em algumas empresas americanas e de países europeus, como na Suécia, existem comportamentos e atitudes que passaram a ser determinados como de risco. Uma questão de proteção de colaboradores e prevenção. A questão coloca-se: o que será mais benéfico: educar os colaboradores, ou forçar que se recriem cenários potencialmente perigosos?

A avalanche de queixas de assédio sexual, em diferentes graus de gravidade, chegou aos corredores e salas de grandes multinacionais. Os casos mais conhecidos não escondem a preocupação crescente com casos mais abafados, que ocorrem em pequenas e médias empresas.

O que se passa em Portugal? Como devem as empresas atuar em casos de assédio sexual?

Desde outubro de 2017 que está em vigor a lei que proíbe todos os tipos de assédio no trabalho, mesmo aqueles que não se verificam no local de trabalho. Ou seja, tomou-se em linha de conta a hipótese de o trabalhador ser vítima de assédio laboral por email ou telefone.

A verdade é que o processo de aplicação de códigos de conduta tem andado devagar. Apesar de não existirem códigos de conduta tão específicos como noutros países, a mudança vai-se sentindo.

Uma reportagem da revista Sábado, de 2018, cita a Comissão de Ética da Jerónimo Martins, que se preocupou em investir na criação de um clima de confiança entre colaboradores e entre chefias, valorizando sempre a defesa da vítima.

Os colaboradores da Jerónimo Martins têm à sua disposição duas formas diferentes de denúncia, por telefone ou e-mail, sempre com o estado de confidencialidade garantida. Nesta mesma investigação, a Jerónimo Martins destaca também a importância da formação sobre o assunto, de forma contínua. Os colaboradores têm acesso a vídeos e informações que retratem situações que podem ser possivelmente desconfortáveis para colegas.

A Ikea Portugal herdou regras da direção sueca, mas adaptadas à cultura nacional. Como revelou a revista Sábado, praticamente não existem paredes nas instalações reservadas a funcionários. A partir do momento em que um colaborador entra na empresa, seja para que nível for, a IKEA promove acções de formação. Fica explícito que comportamentos abusivos não serão tolerados e que existe uma abertura à comunicação. A organização hierárquica também ajuda a estabelecer uma relação de confiança.

Qual é o caminho a seguir?

Infelizmente, muitas mulheres (sobretudo, mas não exclusivamente), ainda têm receio de apresentar queixa. Receio de represálias, medo de despedimento, porque a crise financeira ainda está na memória coletiva.

Existem documentos e manuais que podem apoiar e ajudar as empresas a lidar com estas questões. O caminho parece estar forjado na necessidade de existir mais diálogo e de eliminar o medo de represálias, que ainda paira sobre as vítimas. A formação e educação são aspetos altamente valorizados pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, nestes documentos:

 

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Júlia Rocha

Gestora e criadora de conteúdos para marcas, com paixão por grandes histórias. Nunca sai de casa sem papel e caneta, e adora longas viagens.

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