A Importância de um Bom Conflito

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A grande maioria das pessoas evita o conflito. Neste fantástico TEDx apresentado em 2012 (um daqueles que devia fazer parte do top 15) Margaret Heffernan defende que um “bom conflito” é fundamental para o progresso.

A autora demonstra-nos como “os melhores parceiros não são câmaras de eco”, mas sim pessoas que nos obrigam a dar o melhor de nós na defesa de uma teoria. Assim, Heffernan conta-nos a história da Dr.ª Alice Stewart.

Uma médica invulgar e diferente:

  • era mulher numa área como a medicina, algo invulgar em 1950;
  • era brilhante e isso fez com que fosse a mais nova a pertencer ao Royal College of Physicians;
  • mesmo depois de ter casado e ter sido mãe, continuou a trabalhar;

E se isto não era “normal” na altura, pior ficou depois de se ter divorciado e passado a ser mãe solteira. Também diferente para a época foi o interesse de Alice numa nova ciência: a epidemiologia – o estudo de padrões de doenças.

O Problema e a Solução

Alice queria deixar um legado e para isso precisava de identificar um problema para depois conseguir trabalhar numa solução. O problema que Alice escolheu foi a crescente incidência do cancro infantil. Naquela época, a maioria das doenças estavam relacionadas com a pobreza, mas não neste caso. As crianças que padeciam de cancro eram de famílias com posses. Alice queria saber o porquê!? E conseguiu… O problema estava relacionado com as mães que eram sujeitas a raios-X durante a gravidez.

 25 anos de luta

Durante 25 anos, a Alice lutou… lutou muito e praticamente sozinha. Como é que ela sabia que estava certa? Dr.ª Stewart tinha um modelo de pensamento peculiar e tinha também George Kneale. George era um especialista em estatística. Ele era basicamente tudo o que ela não era. Ele preferia números a pessoas e a relação entre ambos era especial.

“O meu trabalho é provar que a Dr.ª Stewart está errada.”

George procurava formas de refutar o trabalho de Alice.

O objetivo era criar conflito e dúvida sobre as suas teorias. Só quando George não conseguia provar que as teorias apresentadas pela Dr.ª Stewart estavam erradas é que a mesma podia ter a certeza e confiança necessárias de que as suas teorias estavam certas.

“Alice e George eram muito bons no conflito. Viam-no como uma reflexão.” 

Modelo de colaboração

Este era um modelo de colaboração fantástico. “Companheiros de pensamento que não são o eco um do outro (…) pergunto-me quantos de nós temos ou ousamos ter, colaboradores assim? Alice e George eram muito bons no conflito. Viam-no como uma reflexão.” Quantos de nós têm alguém que colabora connosco desta forma?

Colaborar com alguém que nos contraria  

De acordo com Margaret Hefferman isso significa que temos de resistir ao impulso neurobiológico que é, convivermos e falarmos com pessoas semelhantes. Ou seja, temos de procurar pessoas diferentes, que tenham vivido experiências diferentes e tenham tido uma formação diferente.  Conseguir colaborar com elas é um desafio. Algo que requer tempo, vontade e energia. Não é fácil lidar com alguém que nos contraria, que nos obriga a pensar, a fundamentar e a argumentar melhor. A filha da Dr.ª Stewart disse a Margaret: “a minha mãe não gostava de discussões, mas era muito boa a discutir, a debater…”

A verdadeira importância do conflito

A autora procura divulgar a importância do “ato de discordar”, principalmente nas organizações. Não é o ato de discordar “porque sim” ou porque somos do contra. Isso é a procura do conflito por si só. Para Margaret as organizações devem criar um ambiente que permita o conflito saudável e a troca de ideias. A fim de explicar melhor a sua tese Margaret Heffernan dá um exemplo verídico e que acompanhou de perto, numa empresa da área da saúde! Assista ao TEDx e dê-nos a sua opinião!

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