Marta, a Rainha do futebol

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O nome Marta parece ser demasiado curto para a dimensão desportiva da atleta brasileira Marta Vieira da Silva. Aos 33 anos, a rainha do futebol continua a espalhar magia pelos relvados.

Há quem a chame de “Pelé de saias”, mas Marta já provou que não precisa de comparações, nem de alcunhas menos felizes, para descrever o enorme talento que possui. Talento trabalho com muita dedicação e força de vontade de vencer, num mundo dominado por homens.

Natural de Dois Riachos, no estado de Alagoa, nasceu a 19 de fevereiro de 1986. Já foi eleita seis vezes como a melhor jogadora do mundo pela FIFA e é uma supercampeã, tanto no Brasil, como em qualquer lugar do mundo onde coloca o seu talento em ação. A força de vontade e sede de vitórias, é alimentada pelo sexismo que ainda hoje atinge o futebol.

Começou a jogar ainda criança, contra a vontade da mãe e dos irmãos, que chegavam a obrigá-la a ficar em casa, para evitar que fosse jogar futebol com as outras crianças. Foi o professor de ginástica da altura que a “descobriu”. Uma menina obstinada que se destacava no meio dos rapazes fisicamente mais imponentes.

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Marta, a Rainha do futebol e orgulho nacional

Na biografia escrita sobre a jogadora, aparece uma curiosa citação da mãe de Marta: “Um dia ela me pediu um real para comprar uma bola, e eu disse: ‘Você é mulher, Marta’”. Aqui estava o combustível que a jogadora usava, e usa, para ser a melhor do mundo.

No Brasil, Marta é apelidada de “a melhor, entre homens e mulheres”. É a rainha do futebol, que é quase a segunda religião oficial do país. Além dela, só Pelé chegou à mesma dimensão, em termos de veneração popular.

Aos 14 anos, surgiu a oportunidade de ir para o Rio de Janeiro, jogar no Vasco da Gama, um dos poucos clubes brasileiros com equipa feminina. Social e culturalmente, a ida de Marta para a cidade grande distorce a visão do Brasil nordestino, em que as mulheres tinham “obrigação” de ficar em casa, quando os maridos emigravam para combater a pobreza.

Além disso, a jogadora saiu da cidade natal para jogar futebol, algo ainda mais inédito. O primeiro salário que ganhou no Vasco da Gama, foi enviado diretamente para a mãe, a pedido de Marta. Quando a equipa feminina foi eliminada, foi para o Santa Cruz, um clube amador de Belo Horizonte. Foi durante o seu tempo neste clube, que foi convocada pela primeira vez para a seleção brasileira.

Em 2003, durante o Campeonato do Mundo, o Brasil perdeu para a Suécia, o país europeu mais igualitário em termos desportivos e de género. Mas Marta chamou a atenção do presidente do clube sueco Umea. Estava iniciado o processo de internacionalização da ponta-de-lança. A adaptação a um país tão diferente do Brasil foi difícil, mas atualmente Marta tem dupla nacionalidade, e pretende viver na Suécia depois da reforma do desporto.

Depois de 8 anos no Umea, foi para o Los Angeles Sol nos EUA. A tradição de futebol feminino norte-americano consolidou a sua fama mundial. em 2009 voltou ao Brasil, ao Santos, e mais tarde novamente a Los Angeles. Depois à Suécia e atualmente, encontra-se no Orlando Pride, nos EUA, novamente.

A jogar, Marta parece estar sempre no lugar certo, à hora certa. Muito como os jogadores homens que tanto celebramos. Na seleção brasileira, Marta veste a camisola 10, sendo atualmente a líder indiscutível da equipa, aos 33 anos de idade. Em 2015 chegou aos 115 golos com a camisola da seleção canarinha, ultrapassando o recorde masculino de Pelé.

Embora não se apresente publicamente como feminista, a ONU tornou-a embaixadora na luta contra o sexismo no desporto, depois de largos anos de luta pelo espaço feminino no futebol. Recentemente, recusou altos patrocínios, porque os valores propostos não chegam aos pagos a jogadores homens. Já ganhou a Copa América, inúmeros títulos pelos seus clubes e medalhas olímpicas. O Mundial de futebol feminino continua a ser o seu objetivo.

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Júlia Rocha

Gestora e criadora de conteúdos para marcas, com paixão por grandes histórias. Nunca sai de casa sem papel e caneta, e adora longas viagens.

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