Toni Morrison

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Prémio Nobel da Literatura em 1993, Toni Morrison faleceu esta semana, aos 88 anos. Foi a primeira mulher negra a receber o prémio da Academia Sueca, com uma obra caracterizada pela descrição poética, mas realista, da realidade negra norte-americana.

Nascida Chloe Ardelia Wofford, a 18 de fevereiro de 1931, no estado do Ohio, Toni Morrison cresceu numa família com dificuldades financeiras, no meio da Grande Depressão. As contrariedades da época não a impediam de ser uma leitora ávida.

Na infância, e com a influência do pai, conjugava as histórias de Jane Austen e Leo Tolstoi com os relatos das dificuldades passadas pela comunidade afro-americana. Estas noções seriam a base do seu trabalho.

O nome Toni surge quando aos 12 anos se converte ao catolicismo. Recebeu o nome “Anthony”, que usa como um apelido. Apesar das dificuldades económicas e sociais da altura enquanto jovem negra, conseguiu, em 1949, ingressar na Universidade, onde se viria a formar em inglês.

Antes de ser escritora, Toni Morrison foi professora universitária. Passou pelas prestigiadas Universidades de Princeton e Yale, onde sempre promoveu a literatura afro-americana como ferramenta de ensino num país ainda fortemente dividido.

Depois de ter passado pela separação do então marido, Toni mudou-se para o estado de Nova Iorque onde surgiu a oportunidade de trabalhar na conhecida empresa Random House, até hoje, uma das principais editoras de língua inglesa do mundo.

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Toni Morrison: Prémio Nobel em 1993

Ao conciliar as carreiras de editora e professora, Toni Morrison tinha a oportunidade de publicar autores da literatura negra e de a divulgar juntos dos seus alunos, num período particular de tensão racial e de luta pelos direitos civis, nos EUA. Também desenvolveu programas e projetos onde estudantes e artistas reconhecidos se podiam juntar e discutir arte.

Apesar de já ter começado a escrever antes disso, o seu primeiro livro foi publicado em 1970. “The Bluest Eye” foi escrito enquanto dava aulas e criava os dois filhos pequenos. A partir daí, ao longo dos anos seguintes, foram sendo lançadas outras obras.

Os seus romances abordam a problemática da população negra nos Estados Unidos da América, em particular a situação das mulheres. Destacam-se “Song of Solomon” (1977) e “Beloved” (1987). Este último foi um grande sucesso junto da crítica, chegando a ser adaptado ao cinema por Oprah Winfrey.

Este livro relata a história de uma escrava, que mata a própria filha, ainda bebé, para evitar que ela cresça na mesma vida de serventia, escravidão e abuso. Uma história com fundo verídico, que ajudou a que lhe fosse atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 1993.

Nós morremos. Isso pode ser o significado da vida. Mas nós temos o poder da linguagem. Isso pode ser a medida das nossas vidas.

Seria a única mulher negra a ser galardoada com esta condecoração. Antes, em 1988, já havia sido agraciada com um prémio Pulitzer. Os livros da autora continuaram a incidir na temática da mulher negra. Além de seus romances mais conhecidos, Morrison também escreveu livros para crianças em parceria com seu filho mais novo, Slade Morrison.

Apesar de escrever personagens femininas bastante fortes, autora não considera as suas obras feministas. Disse, em entrevistas, não concordar com o patriarcado, mas que também não deve ser substituído pelo matriarcado. Acreditava na igualdade de oportunidades para todos.

A emblemática autora foi agraciada em 2012, pelo Presidente Barack Obama, com a Medalha da Liberdade Presidencial. Em Portugal, são vários os livros de Toni Morrison já editados, incluindo “Love”, “A Nossa Casa É Onde Está o Coração” e “Deus Ajude a Criança”.

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Júlia Rocha

Gestora e criadora de conteúdos para marcas, com paixão por grandes histórias. Nunca sai de casa sem papel e caneta, e adora longas viagens.

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